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"Fuga do Rio de Janeiro"

Artigo de André Soares - 24/10/2017

 

 

 

 

“Fuga de Nova York” (“Escape from New York”) é um filme futurista, ambientado em 1997, que alcançou enorme sucesso em seu lançamento em 1981, cujo enredo trata da criminalidade que atingiu níveis alarmantes nos EUA, especialmente na cidade de Nova York. No filme, a solução encontrada pelo governo norte-americano para esse caos na segurança pública foi isolar e cercar completamente a violenta ilha de Manhattan (distrito de Nova York), separando-a e isolando-a definitivamente do restante do país, transformando-a numa gigantesta “prisão” de segurança máxima, cuja fuga era impossível, na qual seus habitantes não tinham qualquer apoio do estado, ficando entregues à própria sorte.

 

É curioso como muitas vezes a ficção descabida e aparentemente insana coincide com a realidade, pelo menos no Brasil. Porque se o filme “Fuga de Nova York” escapa há anos luz da realidade norte-americana, por outro lado corresponde exatamente à realidade brasileira, especialmente na cidade do Rio de Janeiro/RJ, não apenas quanto à segurança pública, como também quanto ao colapso generalizado do estado. E que a sociedade brasileira não se deixe enganar, pois o colapso do Rio de Janeiro é apenas a “ponta de lança”, a amostra mais visível do colapso nacional.

 

Como é notório, em todo o contexto da humanidade, muitos problemas simples e facilmente solucionáveis se tornam insolúveis, quando não são enfrentados corajosamente e solucionados em tempo hábil. E o melhor, ou pior, exemplo disso no Brasil é o colapso do estado do Rio de Janeiro e principalmente da sua capital. Evidentemente que depois que a tragédia inexorável e irreversível se instala, inócuo se torna encontrar seus responsáveis. Pois, nada mais há o que se fazer. E tudo mais o que se fizer não reverterá o caos, não salvará suas vítimas, agravando ainda mais toda a sua dor e sofrimento, por perpetuá-la em vão e indefinidamente. Esta é a triste e falida realidade da cidade do Rio de Janeiro.

 

Contudo, a despeito da tragédia carioca vir sendo anunciada há várias gerações, nesses momentos de crise é imperioso relembrar o notório ensinamento, que é conhecido de sobejo, a nos ensinar que: “cada povo tem o governo que merece”. Porque a responsabilidade maior e final por tudo o que acontece ou deixa de acontecer em qualquer sociedade humana é exclusivamente do seu povo, e não dos empresários, ou dos governantes e políticos corruptos, que nada mais são do que o retrato mais fiel dessa mesma sociedade igualmente corrupta e que os elegeu legitimamente.

 

Portanto, se transformar a violenta ilha de Manhattan numa gigantesta “prisão” de segurança máxima para seus habitantes não passa de ficção hollywoodiana para a realidade norte-americana, no caso brasileiro seria a solução ideal para o caos que vive a cidade do Rio de Janeiro. Aliás, o estado do Rio de Janeiro é privilegiado em ilhas, inclusive vocacionadas aos caos “presidiário”, como a turística ilha Grande e seu ineficiente Instituto Penal Cândido Mendes; que se tornou conhecido como o presídio no qual os presos que ali estavam serem exatamente aqueles que não queriam fugir.

 

Destarte, “o pior cego é aquele que não quer ver”. E somente um “cego” não sabe que a cidade do Rio de Janeiro, a despeito de continuar a ostentar injustamente o título de “cidade maravilhosa”; na verdade, não passa de uma decadente “cidade maravilhosa”, de presente e futuro caóticos.

 

 

 

 

 


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