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A Vida

Artigo de André Soares - 01/12/2011

 

 

"Eu fico com a pureza da resposta das crianças: ...É a vida. É bonita e é bonita..."

Este é o início de uma das mais lindas e consagradas canções do grande músico Gonzaguinha, ("O que é, o que é?") na qual este poeta nos discorre um inigualável tratado filosófico sobre o que é a vida e o que ela representa. Abusando do seu enorme e incomum talento de transformar razão e emoção em arte, Gonzaguinha alcança ao final desta música duas principais conclusões sobre a vida. Uma delas é verdadeira. Porém, a outra.......nem tanto.

"E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão!..."

É com essa magnânima maestria que Gonzaguinha consegue libertar corações e mentes, nos demonstrando com elevado tirocínio que a vida é um indecifrável enigma, ao contrário do que imaginamos saber sobre ela.

Todavia, a sua segunda conclusão caracteriza-se muito mais por sua sabedoria que por sua veracidade. Pois, acreditar que a vida é bonita é no mínimo um exacerbado e perigoso exercício de autoengano. Porque a vida não é bela como imaginam as crianças, sendo-nos muito mais sofrível que prazerosa. Ademais, sabemos sobejamente quanto sofrimento as crianças ainda hão de vivenciar ao descobrirem essa realidade por si mesmas, não é mesmo?

Portanto, se ignorar a verdade da vida (conquanto as crianças apenas a desconheçam) pode nos ser eventualmente necessário para suportá-la e sobreviver ao seu martírio, por outro lado essa obstinação pode nos levar ao suicídio. Porque é o sofrimento da realidade dura e cruel que nos salva da perfídia insidiosa da doce ilusão dos nossos sonhos.

Contudo, Gonzaguinha foi muito além em sua canção, transcendendo a própria compreensão da vida para inspirar-nos ao mais importante que é a sua plenitude. Porque viver é uma dádiva cujo único sentido é usufruir a vida ao máximo e intensamente, em toda a sua loucura, tal qual viveu Gonzaguinha em sua vida breve. Pois, a insuportável tragédia da vida é a inexorabilidade e imprevisibilidade do seu fim.

Destarte, Gonzaguinha ensinou ao mundo que a despeito da inevitabilidade dos devaneios, infortúnios e inquietações de nossas vidas finitas e imperfeitas, temos o enorme poder de viver e sentir o esplendor da beleza naquilo que quisermos. Assim, conquanto sejamos meros insignificantes mortais nesse mundo, paradoxalmente também somos onipotentes em nossa felicidade, pelo poder de contemplarmos a beleza arrebatadora em tudo. Não apenas em nossas alegrias, como também em nossas próprias tragédias.

 

 

 


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