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Perfil de um terrorista

Artigo de André Soares 13/04/2011

 

A recente tragédia nacional que ceifou a vida de 12 crianças, deixando várias outras feridas numa escola do Rio de Janeiro, pela ação engenhosamente premeditada de um assassino que as atacou sob a mira de várias armas de fogo e que está sendo denominada “massacre da escola de Realengo”, não é obra de um doente mental como está sendo alardeado, mas de um terrorista. A inépcia e desídia generalizadas no tratamento dessa questão por parte da sociedade e das autoridades governamentais, conquanto não evidentes, desvelam o não tão explícito despreparo nacional no enfrentamento dessa fatídica e grave ameaça. A genealogia, motivação e autoria desse crime hediondo são idênticas aos seus congêneres cometidos por terroristas suicidas, os quais não são psicopatas ou doentes mentais como se imagina, assim como Wellington Menezes de Oliveira, o terrorista suicida do “massacre da escola de Realengo”, também não é.


E as mais temidas organizações terroristas da atualidade sabem muito bem disso, evitando os candidatos mentalmente perturbados ou com patologias psíquicas, embora sempre saibam encontrar alguma eventual utilidade para malucos que queiram se matar. Portanto, contrariando o que pensa a equivocada unanimidade, o perfil dos terroristas mais perigosamente eficientes na realização de atentados exitosos, os quais as organizações terroristas internacionais buscam precipuamente recrutar, é o de pessoas normais e especialmente inteligentes, à semelhança do perfil do suicida do “massacre da escola de Realengo”.

A veracidade dessa perturbadora assertiva é conhecimento inconteste consolidado por aprofundados estudos científicos internacionais sobre terrorismo, injustificadamente desconhecidos por nossas autoridades públicas. Todavia, o que se verifica no plano nacional é a sua sistemática negação pela racionalização psicossocial da abalada sociedade brasileira, incapaz de transcender o sofrimento insuportável da vitimização de tantas crianças inocentes; agravada pelo indisfarçável temor e irresponsável inação dos nossos governantes de enfrentar as organizações terroristas internacionais que há muito atuam livremente no Brasil.

 

Se o Brasil enfrentar a realidade dos fatos, reconhecerá que o suicida do “massacre da escola de Realengo”, mesmo sozinho, planejou e executou toda a sua ação terrorista com uma maestria operacional surpreendente, até para possuidores de treinamento especializado nessas ações. Surpreendem também, dentre outros, a sua disciplina, meticulosidade, racionalidade e organização, verificadas tanto no seu modus operandi, como os seus textos e vídeos demonstram uma expressão verbal e escrita reveladoras de sua especial inteligência, além de sua inequívoca lucidez na concepção de todo o destino que premeditou.

 

Se o Brasil enfrentar a realidade dos fatos, reconhecerá que o alegado desequilíbrio do suicida do “massacre da escola de Realengo” não é de natureza psíquica, mas oriundo de radicalismo ideológico-religioso, idêntico ao radicalismo das mais temidas facções do terrorismo internacional.

 

Se o Brasil enfrentar a realidade dos fatos, reconhecerá que o suicida do “massacre da escola de Realengo” não era bandido ou criminoso que objetivasse a obtenção de qualquer vantagem ilícita, mas alguém em defesa de uma causa, pois terroristas lutam por seus ideais.

Se o Brasil enfrentar a realidade dos fatos, aprenderá que terroristas não precisam de organizações terroristas para cometer seus atentados hediondos, embora busquem seu desejado patrocínio e apoio, assim como também tentou o suicida do “massacre da escola de Realengo”.

 

Contudo, a segunda tragédia nacional é a conivência de nossos especialistas e governantes em  descaracterizar a realidade dos fatos, enganando a sociedade brasileira sobre a gravidade da contingência terrorista  do “massacre da escola de Realengo”, a despeito das suas inegáveis e contundentes evidências. Pois, além de estarmos diante de um caso clássico, ele ainda está corroborado com a interveniência de inúmeros aspectos da personalidade humana, bem como fatores circunstanciais e conjunturais, tipicamente inerentes à constituição do perfil terrorista e à eclosão de seus atentados.

Portanto, se o Brasil enfrentar a realidade dos fatos e pretender evitar futuras tragédias terroristas e a proliferação de seus atentados no país, terá que se engajar corajosamente na sangrenta guerra mundial contra o terrorismo internacional e a ação avassaladora do seu crescente e destemido exército de suicidas.

Contudo, essa vitória não será alcançada sem o emprego de profissionais em Inteligência de Estado com elevado nível de adestramento operacional e expertise em conhecer, prevenir, detectar, identificar, assinalar, combater e neutralizar essa ameaça aterrorizante e fatal, porém invisível. Porque os terroristas da atualidade não têm raça, cor, sexo, religião, ou nacionalidade. Todavia, a única e crucial certeza sobre terroristas é que são pessoas normais e especialmente inteligentes, talvez assim como você.

 


 
 
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